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Sexta, 10 de Fevereiro

A Pílula

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O receio de muitas mulheres face à toma da pílula devia-se às enormes quantidades de hormonas com que estas eram fabricadas. Actualmente esse receio já não tem razão de ser.

Objecto já de duas encíclicas papais desde o seu aparecimento em 1961, a pílula contraceptiva é tomada por mais de 70 milhões de mulheres por todo o mundo, sendo considerado o contraceptivo mais popular de todos. E a sua eficácia é a fonte do seu sucesso: apenas uma em cada 1000 mulheres que a tomam correm o risco de engravidar.

Foi pelas mãos do Laboratório Schering que a pílula entrou na Europa no início da década de sessenta, sob o nome de ‘Anlovar’ um pequeno comprimido que viria a revolucionar a sociedade. Apesar de todas as melhorias no campo sexual, esta pílula continha doses altíssimas de hormonas. O Comité de Segurança nos Medicamentos recomendou a dose máxima de 50 microgramas de estrogénio na pílula. A recomendação foi aceite em todo o Mundo. A Enovid, primeira pílula comercializada nos EUA, continha 150 microgramas de estrogénio. Cinco anos depois, em 1974, o estudo realizado pelo Colégio Real de Clínicos Gerais demonstrou que a redução da dose de estrogénio contribuira para diminuir o risco de tromboses venosas.

A primeira pílula de baixo teor de estrogénio (30 microgramas) e um novo progestagénio - desogestrel - foram aprovados na Holanda, o que abriu caminho para os desenvolvimentos de pílulas mais seguras e menos prejudiciais.

Nos nossos dias todos os esteróides que se utilizam nos preparados são sintéticos, permitindo reduzir ao mínimo as doses administradas e impedindo a metabolização sofrida pelos esteróides naturais. No mercado podem ser encontrados três tipos diferentes de pílulas contraceptivas, de variadissímas marcas.

O contraceptivo oral combinado (sigla AOC) – É o mais utilizado pelas mulheres. Cada comprimido contém um estrogénio e um progestagénio, o que vai impedir o processo de maturação do óvulo e impede que um possível ovo fecundado se fixe no útero. Ao mesmo tempo modifica o muco cervical, o que vai dificultar a passagem de espermatozoides. Este processo não inibe a menstruação.

Método sequencial – Cada embalagem contém cerca de 7 a 15 comprimidos de estrogénio e os restante, completando 21 comprimidos, são compostos por progestagénio. O processo impede a ovulação mas não a menstruação e revelou-se menos eficaz que o anterior.

Pílula de progestagénio – Actua sobre o muco cervical impedindo a passagem dos espermatozóides e impede a fixação dos óvulos fecundados. Em grandes doses inibe a menstruação. Para ser eficaz deve ser tomada todos os dias à mesma hora e tem como principal atractivo evitar os riscos e efeitos negativos dos estrogénios, embora apresente um risco de gravidez mais alto.

Cabe ao médico decidir qual o melhor processo para o seu caso porque é preciso ter em conta ainda o peso, a idade e os antecedentes clínicos para receitar a pílula.



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