Há uns dias, caminhava eu à noite na minha rua, de volta a casa, e havia um cheiro no ar a lareiras acesas e luzes cintilavam nalgumas janelas. Senti-me transportada para a Noruega, onde vivi durante dois anos.
É um país lindo, onde no Verão nunca anoitece completamente, e as pessoas hibernam no Inverno. Mas, chegado o mês de Dezembro começam a despertar e a celebrar o retorno do sol. As suas almas enchem-se de alegria e de esperança, pois a seguir ao dia mais curto do ano, dia 23 de Dezembro, os dias começam a crescer e a promessa de que em breve virá a primavera paira no ar.
“É a promessa de vida no meu coração” … como diz o cantor brasileiro. A neve dará lugar a campos cobertos de culturas agrícolas, as árvores cobrem-se de verde e os parapeitos das janelas enchem-se de flores, tudo com uma pujança tão repentina que é deslumbrante. Em breve haverá legumes, fruta e cerais frescos da época, e os animais podem sair para pastar.
Se considerarmos que as estufas, as câmaras frigoríficas, os supermercados repletos de alimentos congelados e de comida embalada e as redes internacionais de distribuição de géneros alimentícios têm apenas algumas décadas, podemos compreender melhor a voracidade com que se celebra o retorno do sol e da vida. E foi assim que justifiquei, a mim própria, a intensidade com que os noruegueses vivem esta festa pagã milenar, o Natal, desdobrando-se em festas sucessivas durante todo o mês de Dezembro.A ausência de neve debaixo dos meus pés, a facilidade com que andava, e a temperatura amena trouxeram-me de volta à minha rua. Pensei que também hoje nos desdobramos em festejos de Natal, aqui neste belo canto à beira mar plantado. São as broas que a colega trás para nos pronunciarmos sobre os resultados da nova receita que experimentou. É o bolo rei que chegou de um cliente e que se abre à hora do lanche.É a tacinha natalícia com uns bombons convidativos em cima do balcão no banco. É o pratinho de fatias douradas que a vizinha trouxe para o lanche. É a festa de Natal da escola dos pequenos, a festa da empresa onde o marido trabalha, é aquele almoço das amigas que se juntam nesta altura do ano… E assim se vai comendo isto aqui e provando mais aquilo acolá todo o santo mês de Dezembro ainda antes dos empanzinamentos na véspera e no dia de Natal.
Certa que muitos leitores gostariam que o espírito de Natal não se cingisse só a dois dias no ano inteiro, porque não fazê-lo pelo menos do ponto de vista gastronómico? Porque é que há-de passar mais um dia de Natal à procura das pastilhas para a azia ou a protestar porque mais uma vez não resistiu a comer tanto e a lamentar-se “Ai que lá aumento mais uns quilinhos!” ou “Ai o meu colesterol…”. Não se castigue nem se auto-flagele, isso não faz parte do espírito de Natal. Combine já com a sua família quais são as iguarias que realmente cada um quer comer e, com base nisso, faça os cálculos de quanto precisa de comprar e de confeccionar. Depois telefone à sua mãe, à sua sogra, às tias, às irmãs, enfim a todas quanto costumam aparecer à sua porta com as ditas iguarias. Anuncie-lhes que resolveram que o Natal se festeja em duas fases, agora com … e lá para Fevereiro outra vez. Se os festejos não são em sua casa mas sim em casa de familiares, ou de amigos, de onde costuma voltar com caixas com restos telefone-lhes e diga que este ano é diferente e que agradece muito à mesma mas que não podem contar consigo quando repartirem as iguarias no final da festa. “É o colesterol do João, são os dois quilos a mais do Natal a que este ano não se quer candidatar, os miúdos já passaram o mês a comer muitas guloseimas e a Francisca que não quer engordar…”E se a sua mãe, aquela tia que vive sozinha, ou a sua sogra adoram preparar as iguarias especiais da época explique-lhes que este ano é diferente.
Explique-lhes a decisão que tomaram, ou que tomou, e que quer fazer uma combinação especial com elas. Agora cozinham menos mas em Fevereiro, por exemplo, fica à espera que tragam o resto que não cozinharam agora. Podem até combinar já encontrarem-se outra vez para um jantar especial, em que os sogros trazem um bocado de leitão, a mãe os sonhos e a tia as …
Uma boa solução é congelar grande parte do que lhe resta, em bocados, em porções menores ou às fatias, de forma a que seja mais fácil comer ou servir mais tarde. Por exemplo o bolo rei é muito agradável cortado às fatias e aquecido ou até torrado. Pode servi-lo a um lanche, num daqueles dias de invernosos em que resolveram ficar em casa; se não morre pelas frutas cristalizadas que o cobrem retire-as, pois têm muitas calorias.
É uma sobremesa decorativa e muito apreciada nestes dias por ser desenjoativa, e não é por acaso. A verdade é que estas frutas ajudam, directamente ou indirectamente, a fazer a digestão e a combater a retenção de líquidos. Os seus convidados sentir-se-ão mais bem dispostos e lembrar-se-ão de si por isso.
A todos as cibernautas e às vossas famílias, os desejos de um BOM NATAL!Dra Virgínia Costa Matos
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(Directora do Centro de Emagrecimento TRIMLINES)













NAMORO A QUASE 3 ANOS E SEMPRE QUE TENHO RELAÇÃO SEXUAL COM MEU NAMORADO,DEPOIS DA RELAÇÃO OU NO ...
a melhor coisa é vc voltar no seu ginecologista .
adoro este livro, ajudou-me imenso na faculdade. será que me podiam enviar o doc para impressao? ...