Das mais antigas tradições portuguesas, o presépio é, ainda hoje, uma decoração sempre presente no Natal português.
Antigamente competia a todos os membros da casa a montagem do presépio, única decoração de Natal, antes das árvores cobertas de enfeites e importadas de outras paragens.
O presépio era uma das tradições mais importantes nas casas portuguesas.
A imagem do menino apenas era colocado entre as palhinhas do estábulo após a missa do galo, cerimónia que marcava o nascimento do menino Jesus.
Cumprido este ritual, a família reunia-se para a ceia, de bacalhau com batatas ou polvo e filhoses, guardado que estava o arroz doce ou formigos para o almoço do dia seguinte. E o presépio reinava na casa até ao dia de Reis.
O presépio é uma tradição que remonta ao século XIII e que ainda hoje se cumpre na maior parte dos lares. As primeiras imagens que representam a Natividade foram criadas em mosaicos no interior das igrejas e templos, remontando ao século VI. Ainda que os presépios já fossem uma tradição pelo menos do século II, a verdade é que para os pagãos os deuses solares também nasceram em grutas: Zeus, Dionísios e Agni.
O primeiro presépio que consta na história foi elaborado na Igreja de Santa Maria em Roma, sendo posteriormente este costume alargado a outras igrejas.
Foi pela mão de S. Francisco de Assis (1181- 1226) que o presépio ganhou a representação que a Bíblia descreve da natividade, ocorrida numa gruta, com uma manjedoura, animais e figuras esculpidas, uma representação que se tornaria popular em todo o mundo cristão. São Francisco começou a divulgar a ideia de criar figuras em barro que representassem o ambiente do nascimento de Jesus.
O primeiro presépio foi construído por em 1224, tendo sido celebrada uma missa que foi descrita como tendo um ambiente verdadeiramente divino.
Em Portugal os presépios sempre tiveram enorme aceitação por parte da população, sendo que a árvore de Natal, até meados dos anos cinquenta era totalmente desprezada e mesmo algo mal vista nas cidades, sendo totalmente ignorada nos campos.
A grande tradição sempre foi a dos presépios, sendo os mais famosos os de Machado de Castro. Noutras zonas, como em Elvas, era hábito decorar-se o presépio com elementos naturais, buxo, cizirão e trigo grelado (searinhas).Um mês antes do dia de Natal, lançavam-se em pratos ou pires, pequenas porções de trigo, humedecido para germinar mais depressa (searinhas) e era com estes elementos naturais que se construíam os presépios. Este é um hábito um tanto perdido nos dias de hoje.
Em qualquer casa comercial pode comprar um presépio com as figuras principais e que não ocupam muito espaço.
Mas a magia dos presépios ainda continua em muitas aldeias de Portugal e em várias casas onde a construção deste espaço mágico continua a ser uma tradição tão importante como a árvore de Natal e os doces natalícios.











