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Os Filhos do Divórcio

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Na relação do casal, são sempre os filhos quem recebe a maior parte da atenção e o universo dos pais gira à sua volta. Com o divórcio tudo isso muda. E como é que eles reagem?

As crianças são as principais vítimas nas situações de divórcio, porque é o mundo que conhecem que se desmorona. Cabe aos pais saber lidar com o problema para preparar os filhos e lhes explicar o que está a acontecer. E as formas de actuar pouco variam consoante as idades: importante acima de tudo é a comunicação e o amor.

As formas deles reagirem a esta mudança é que variam consoante a idade. A primeira infância é a idade mais sensível, altura em que o bebé tem necessidade de adquirir um patamar de confiança com o mundo que o rodeia, com alimentação a horas, mimos e vínculos. Apesar de não se aperceber da separação, ele compreende que algo não está bem pela forma como os pais reagem à situação o que o afecta. Se os pais acham que não conseguem dar todo o apoio que a criança necessita nesta idade, o melhor é recorrer a alguém que os possa substituir, retomando as atenções após o processo de divórcio.

Na fase dos primeiros passos até ao segundo aniversário, ele está em plena fase de exploração do que o rodeia. E necessita mais do que nunca de criar confiança em si mesmo. Um ambiente familiar de discussões, agressão, hostilidade e tensão é captado pelo bebé mesmo que esta tensão seja silenciosa, e é algo que não consegue entender. As dúvidas sobre quem irá tratar dele e protegê-lo preocupam-no mais do que os pais se apercebem. A única solução para evitar que os medos se manifestem em reacções variadas é reforçar a atenção, mima-lo (mas sem os exageros em que muitas vezes os pais separados caiem) brincando com ele e reafirmando o seu amor.

Por vezes a falta de tempo e de paciência para quem enfrenta um divórcio leva a que se dedique menos tempo às crianças, mas essa dedicação é, muitas das vezes, o próprio remédio para recuperar o equilíbrio psicológico de pais e filhos.

A primeira adolescência acontece entre os dois e os três anos, uma época marcada por mudanças, pelo excesso de personalidade da criança que deixa de ser bebé. As reacções são mais extremas com birras, alterações de humor e acessos de cólera, para além de estarem mais vulneráveis aos choques psicológicos. A criança deseja que tudo corra como quer e a separação dos pais não está nos seus planos. A cólera pode ser virada contra os pais com acusações verbais e muita agressividade. Quanto mais agressivos se mostram, maior é a necessidade de atenção que têm. Levá-los a exteriorizar o seus sentimentos com desenhos ou com jogos de pugilato contra almofadas pode ajudar bastante.

Com a idade pré-escolar chega o equilíbrio da sua personalidade porque não se encontra tão dependente dos pais, ao mesmo tempo que começa a socialização com o mundo e precisa da presença de ambos os pais como modelos, pelo que estes devem evitar fazer visitas com as sucessivas companhias alternativas. É uma idade em que há o risco das regressões comportamentais. Se já comia sozinho e ia à casa de banho sem ajuda, é muito natural que comece a fazer chichi sem qualquer controlo e adopte a linguagem de bebé, porque o medo de ser abandonado é maior.

A média infância abarca a idade dos 6 aos 11 anos, altura em que precisa de falar dos seus problemas, dos colegas e da sua afirmação. Cabe aos pais dedicarem tempo para ouvir tudo e uma boa ideia é levá-lo, desde pequeno, a contar o seu dia-a-dia, desenvolvendo o canal de comunicação. Os sentimentos, em caso de divórcio, podem evoluir para rancor contra um dos progenitores. Muitos pais também contribuem para isso, destruindo a imagem que se criou na cabeça e no coração da criança.

Segue-se a fase da pré-adolescência que é muito traumatizante para a criança, com as mudanças de mentalidade e no corpo. Quando em casa não encontra a estabilidade que precisa, as coisas podem complicar-se muito. Sente com mais precisão e maior sofrimento o que será a perda de um dos pais, até porque terá de explicar a situação aos colegas e amigos. As discussões entre os pais são gravadas na memória e a revolta dirige-se contra o divórcio em si como solução dos problemas.

E chegamos à fase da adolescência, com todos os seus perigos, altura em que ainda não é adulto mas já não se considera criança. A acrescentar a separação dos pais, temos uma mistura explosiva que pode originar a que se cavem fossos profundos entre ambas as partes. Ter em atenção a forma como decorre o divórcio e manter uma vigilância ao comportamento do adolescente vulnerável pode parecer difícil mas é fundamental para evitar problemas como a droga ou com o álcool.

Um problema muito comum é a proibição por parte de um dos pais de que o outro veja o filho. A criança que fica separada de um dos pais sofre muito mais se não puder manter o contacto.

Acima de tudo deve estar bem presente na mente dos pais que os filhos não têm culpa da situação e que são eles quem mais precisa de ajuda pelo que deve sempre partilhar com ele os problemas de forma a recuperar a alegria e a segurança.

As crianças precisam da garantia de que ambos os pais continuam a gostar delas e que serão sempre os seus filhos



Comentários (2)
  • una española atenta  - correcciones
    cuidado con las patadas al diccionario de vuestra bella lengua portuguesa:
    no se escribe "as formas deles reagirem":
    es "de eles reagirem"

    no se escribe "caiem", es "caem"

    eles quem mais precisa (?????)

    CUIDADO COM A LÍNGUA!!

    Saludos
  • Anônimo  - O pai ausente
    O pai ausente



    Análise dos efeitos patológicos que o abandono da responsabilidade educativa do pai pode ter sobre o desenvolvimento dos filhos.



    Tanto a criança como o adolescente sentem a necessidade de ambos os pais e, sobretudo, da vitalidade e do senso comum da mãe. À margem de toda e qualquer especulação ou polémica científica, bastaria que pai e mãe actuassem em comum e de forma criativa, que se completassem um ao outro espontaneamente e que tivessem em conta que nenhum deles pode ser substituído pelo outro. A presença activa do pai revela-se cada vez mais necessária para um crescimento equilibrado dos filhos (...).

    Em épocas anteriores à nossa, os filhos dos camponeses e dos artesãos, que é o mesmo que dizer todas as crianças, tinham o pai sempre a seu lado e podiam observá-lo enquanto ele trabalhava. Quase sem darem por isso, absorviam o seu carácter e os seus ensinamentos. Depois, os ritmos intensos da vida industrial e pós-industrial, privaram-nos dessa constante, l...
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