O Estado da Maternidade em Portugal

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Como é ser mãe em Portugal? Quais as condições que as mulheres grávidas encontram pela frente? Quanto custa um parto?

Estas foram algumas das questões que a revista TesteSaúde procurou responder. O seu objectivo era averiguar do cenário que se apresenta às futuras mães portuguesas. Para isso, realizou um estudo que envolveu 1300 inquéritos, distribuídos com a colaboração de farmácias de todo o país, entre Setembro de 1998 e Janeiro de 1999.

Desse questionário faziam parte perguntas relativas ao período de gravidez, ao parto em si e às condições oferecidas durante o período pós-parto.

As conclusões foram apresentadas e os números são surpreendentes e dão-nos uma clara ideia de como é dar à luz no nosso país. Dois factos, em especial, tornam-se interessantes de analisar…

Para um dos momentos mais marcantes da sua vida, a grande maioria das portuguesas (94%) decidiu optar pelos hospitais públicos. Em comparação, só 5% recorreram ao privado. Um atendimento mais personalizado, serviços e equipamentos de melhor qualidade são algumas das vantagens destas clínicas. O pior é mesmo a elevada quantia gasta…

Mas dos hospitais públicos também podemos esperar uma conta elevada: basta pedirmos – quando isso é possível – um quarto privado ou a assistência do médico privado.

Interessante de observar é, também, o grande aumento de cesarianas: os números atingem 1/4 nos hospitais públicos e quase metade nas clínicas privadas.

O problema é que a Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha, este tipo de operação, somente para os casos em que é mesmo necessária. Os riscos são enormes e podem ir, desde complicações no momento do parto, até ao pôr em risco a vida da própria mãe. Não convém arriscar, é o conselho da OMS.

Durante a gravidez

Estarei grávida? Para responder a esta pergunta, 78% das mulheres escolheram recorrer primeiro a um teste comprado na farmácia. A ida a um médico só surge, geralmente, depois desta confirmação.

Convém, no entanto, lembrar que estes testes não são 100% seguros e que uma consulta médica é indispensável para se tirarem quaisquer dúvidas e para se tomarem, de imediato, todas as precauções necessárias.

E qual a especialidade médica a que se dirigem?

Mais de metade das inquiridas confirmaram escolher um ginecologista ou obstetra (geralmente em consultório privado) para as acompanhar durante a gravidez.

Porquê? Maior disponibilidade, discrição e delicadeza são algumas das razões apontadas. Único senão: o elevado preço das consultas.

O médico de família é escolhido por cerca de 26% das grávidas – em média mais novas e de estratos socioeconómicos mais baixos.

Porquê esta diferença? Um ginecologista, com consultório privado, facilita mais a vida…

Quem é que, hoje em dia, tem tempo para correr para o Centro de Saúde para arranjar uma credencial para cada exame receitado pelo médico?

No que diz respeito ao número de consultas aconselhado, este deve rondar as 8 ou 10 – 2 no primeiro trimestre, 2 no segundo e 4 ou 5 no último mês para uma gravidez normal.

Ora, o que se verifica, é uma certa tendência para um excesso no número de consultas entre os ginecologistas O contrário passa-se com os médicos de família. Por isso, é importante a grávida fazer o seu próprio controle.

Vários exames (análises à urina e ao sangue, controlo do peso e da pressão arterial), ecografias e mesmo um exame mamário e uma citologia (para detectar infecções ou cancro no colo do útero) devem ser efectuados. E nem sempre isso acontece…

Nomeadamente, quanto às ecografias, elas devem ser 3: para definir o tempo de gravidez durante o primeiro trimestre; por volta do quinto mês para detectar eventuais malformações e, no último trimestre, para verificar o crescimento e a posição do feto.

Mais uma vez a TesteSaúde propõe uma maior atenção por parte das grávidas. Se demais não é necessário, a menos pode ser prejudicial…

Informar as futuras mães com mais de 35 anos dos risco de malformação congénita é, também, indispensável. Tenha em atenção esta situação.

Outra conclusão curiosa: o nascimento prematuro, a perda de peso à nascença, o deslocamento da placenta parecem não convencer 68% das mães da necessidade de deixar de fumar.

De destacar que, em relação à auto-medicação, 90% das grávidas afirmam ler os folhetos informativos dos medicamentos. Menos mal…

Dar à luz…

Chegou a hora prevista… Pelo menos, 49% das mulheres deu à luz por volta da data prevista pelo seu médico – uma semana antes ou depois.

E como foi o parto?

Escolher a posição do parto que mais facilita a expulsão nem sempre é permitido. Das inquiridas, 81% tiveram de ficar deitadas durante o trabalho de parto e mostraram-se menos satisfeitas do que aquelas que escolheram a posição que mais lhes agradava.

Quanto à anestesia [glossary]epidural[/glossary], ela foi escolhida por mais de metade das parturientes. A sua eficácia parece ser menor, segundo as inquiridas, durante a dilatação.

Os seus inconvenientes (quebras de tensão, atraso no trabalho de parto, etc.) não parecem demover as grávidas. Vigilância por parte do médico ou anestesista torna-se fundamental nestes casos.

A ginástica pré-natal (praticada por 16% das grávidas) permite, também, suportar melhor as dores.

Acompanhas ou sozinhas… Esta é uma escolha que nem sempre é possível fazer já que há hospitais que não apresentam condições para tal. Assim, o número de partos assistidos pelos maridos ou companheiros chega aos 78% no privado em contraste com os 40% no público.

Mas, não é só no momento do parto, que as deficientes condições são notórias. A alimentação, o conforto, a assistência médica e o horário de visitas ganham pontuação negativa em alguns casos. E isto nos hospitais públicos já que as clínicas privadas passam com alguma distinção.

Outro ponto negativo a apontar é a não observação de 3% das mulheres no período pós-parto… Falamos de uma percentagem muito reduzida mas, mesmo assim, não deixa de ser inadmissível.

Como se vê, ainda há aspectos a melhorar…

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