Avaliação da ingestão alimentar em grávidas portuguesas

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No âmbito de um projecto conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, avaliou-se a ingestão alimentar em mulheres grávidas.

Este projecto, designado de Geração XXI, pretende avaliar o impacto do ambiente in útero na saúde das crianças, nomeadamente da alimentação materna.

Quatrocentas e trinta mulheres no 1º trimestre de gravidez permitiram o seu acompanhamento até ao parto, permitindo conhecer a sua alimentação antes e durante a gravidez.

Durante a gravidez, observou-se que o consumo de produtos lácteos quase que duplicou em relação ao ano prévio. A ingestão de gorduras, pão, fruta e sopa também aumentou, no entanto a ingestão de ovos, carnes vermelhas, arroz, massas e batatas, alimentos fast food, bebidas alcoólicas, café e chá diminuíram.

A percentagem de mulheres que consumiam bebidas alcoólicas decresceu de 36% antes da gravidez para 13% durante a gravidez, ocorrendo também diminuição das quantidades ingeridas. Quase todas as mulheres consumiam cafeína antes e durante a gravidez, mas observou-se uma diminuição da quantidade (65mg para 34mg).

Avaliou-se a adequação em nutrientes em relação às recomendações existentes. 1 em cada 5 mulheres consumia menos hidratos de carbono e 13% das mulheres consumiam mais gordura do que o recomendado.

Antes da gravidez, 58% das mulheres ingeriam, através da alimentação, menos ácido fólico do que é recomendado, ascendendo aos 91% durante a gravidez. No caso do ferro, 88% das mulheres não conseguiu suprir as suas necessidades durante a gravidez. Estes resultados justificam a necessidade de suplementação.

A suplementação em ácido fólico deve iniciar-se antes da gravidez, situação que ocorreu em 19% das mulheres. Apesar de 96% ter tomado ácido fólico no 1º trimestre, o início da toma ocorreu em média pelas 6 semanas, o que ultrapassa o 1º mês em que a eficácia da suplementação está comprovada.

Estes resultados já tinham sido divulgados em revistas e congressos científicos, mas o reconhecimento feito pelos Nutrition Awards deu-lhes uma visibilidade nacional.

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