Aleitamento materno, o seu manual de sobrevivência

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O pai também tem um papel muito activo no aleitamento materno. (…) Sem dúvida, se se fizer uma boa preparação, tudo será mais fácil, pois todos serão conhecedores dos obstáculos. (…) Amamentar é em primeira instância uma decisão, tornemo-la consciente e esclarecida.

Quando falamos sobre aleitamento materno é certo que necessitamos de cerca de três horas em conversa para que as coisas possam fazer sentido para os pais – sim, porque o pai também tem um papel muito activo no aleitamento materno – numa fase em que ainda estão ‘grávidos’. Isto acontece, quer se tratem de primeira gravidez ou não, pois todas(os) viveram ou ouviram relatos acerca do aleitamento materno.

Para fazer face às dúvidas dos papás, tentei organizar ideias para escrever este “manual” de uma forma compreensível e fluida… estas linhas orientadoras não são um apoio individualizado nem dirigido a ninguém em particular, pretendem apenas ser um pequeno suporte, com aquilo que são as bases de um aleitamento materno de sucesso.

Este ‘manual’ não pretende fazer-se substituir a qualquer apoio personalizado que a mãe, puérpera e o bebé possam obter – esse é sempre bem-vindo e certamente mais assertivo e direcionado já que tem em conta a tríade mãe/ pai/ bebé em questão.

Ufa! E vamos então por partes.

Existem quatro fases do aleitamento materno.

A preparação

Tal como é esperado que se planeie a gravidez, também é suposto que o façamos com o aleitamento materno, seja percebendo como tudo acontece, seja tomando uma primeira decisão sobre se querem ou não amamentar;

O colostro

É o primeiro leite que sai da mama, normalmente bastante espesso e amarelo, riquíssimo em nutrientes e comummente subvalorizado. Por ser tão rico, pouca quantidade é suficiente para que o bebé fique saciado, até porque o seu estômago não é maior do que o tamanho de um berlinde! Sim, quando nasce o bebé tem o estômago do tamanho de um berlinde!

A descida de leite

Tecnicamente é a produção excessiva de leite relativamente ao consumo do bebé, caracterizada pelo enchimento da mama, muitas vezes acompanhado de dor, temperatura e dificuldade em que o bebé faça uma pega correta e um bom esvaziamento da mama. (Voltaremos aqui mais adiante)

O leite maduro

Aquilo a que eu gosto de chamar de “velocidade cruzeiro”. Sem dúvida, se se fizer uma boa preparação, tudo será mais fácil, pois todos serão conhecedores dos obstáculos.

Amamentar é em primeira instância uma decisão, tornemo-la consciente e esclarecida. Para não tornar o “manual” em algo ilegível, e porque na fase “colostro” estará em meio hospitalar, não abordarei os obstáculos técnicos, apenas alerto para a importância – tantas vezes negligenciada – de cuidar da mama (primeiro biberão do bebé) desde a primeira mamada, com a aplicação de um creme (preferencialmente lanolina pura), utilização de um bom soutien de suporte, colocação de umas conchas protetoras de mamilos.

Idealmente andaria com a mama ao ar, mas na impossibilidade de o fazer, estes são os segredos para uma mama sã.

O colostro será então aquilo que alimentará o bebé nos primeiros três a sete dias de vida, momento em que terá a descida do leite. Quando entramos nesta fase, é fundamental que o bebé mame frequentemente, isso assegurará uma boa base de produção de leite e esvaziamento da mama, evitando que esta fique tão tensa e que o bebé não consiga efectuar a pega o que certamente fará com que o bebé não fique tão sôfrego que não queira largar a mama! –

Intervalos curtos entre mamadas darão origem a mamadas mais curtas e bebés mais serenos.

Recordando que este “manual” não substitui um aconselhamento individualizado, a minha orientação vai no sentido de intervalos de duas a duas horas e meia entre as mamadas, de duração entre quinze a trinta minutos (no máximo) e em ambas as mamas.

É fundamental reter que o intervalo entre mamadas se contabiliza a partir do momento em que o bebé começa a mamar e este deverá fazer entre oito a dez mamadas por dia (vinte e quatro horas). Este momento, denominado “descida do leite” por se tratar de uma resposta cerebral ao estímulo que o bebé efectua na mama desde a primeira mamada, dura cerca de vinte e quatro a quarenta e oito horas, desde que bem orientado. Superável?

Daqui em diante entramos na “velocidade de cruzeiro”, podemos começar a estabelecer rotinas e padrões, pois o nosso corpo já percebe quanto e quando o bebé come/mama. A Mãe Natureza é fabulosa!

http://www.mulherportuguesa.com/familia/bebes-e-criancas/como-obter-sucesso-na-amamentacao/

Joana Freitas
Conselheira em Aleitamento Materno

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