Carros e adolescentes

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A chegada aos 18 anos e o ritual de passagem para a idade legal adulta trazem consigo apenas um desejo: tirar a carta.

Infelizmente, este é o último sonho para muitos jovens.

Costuma ser uma mistura explosiva, colocar jovens frente a um volante. Seja pela inexperiência, seja pelos abusos que querem ou são levados a fazer, o que é certo é que os adolescentes estão no topo da lista das vítimas de acidentes.

Todos os anos são milhares de jovens que sofrem acidentes graves de que resulta uma perda de qualidade de vida, porque as mazelas são mais do que muitas. Ao volante de um carro ou numa moto, os acidentes sucedem-se e calcula-se que por cada morte, ocorrem cerca de 5 a 6 incapacidades graves permanentes e têm lugar cerca de 100 acidentes não fatais.

A falta de experiência e de domínio da máquina que conduzem é o factor mais apontado para estes números, uma vez que existe a ideia entre os jovens que conduzir apenas requer rapidez e destreza, o que está longe de verdade. A maturidade e a calma, permitem avaliar com rapidez as situações e avaliar as possibilidades do veículo face às condições atmosféricas, da estrada, etc.

Outro problema que se coloca é o do álcool. Se bem que toda a gente saiba que nem só os jovens bebem e conduzem, neste caso, é também verdade que os indicies são mais elevados e nem sempre existe a maturidade suficiente para saber quando parar ou se não está em condições para conduzir, para o que muito contribui o desejo de se promover aos olhos dos que com eles se encontram.

Um carro nas mãos é a ocasião perfeita para o exibicionismo, especialmente se levar passageiros de outro sexo. É natural e inato o desejo de mostrar que se é capaz disto ou daquilo, sem medos e de explorar os limites. O problema são os resultados

Factor agravante desta situação é o facto da maioria dos jovens apenas conduzir de noite e de madrugada, aproveitando para as saídas o carro dos pais. No entanto, este período é o mais perigoso, especialmente ao fim-de-semana. A somar às fracas condições de visão, o cansaço do dia e de actividades como a dança, mais motivos existem para preocupação. De referir que a taxa de acidentes e de óbitos é quatro vezes superior nos adolescentes no período nocturno.

Muitos jovens desafiam a ordem imposta do uso do cinto de segurança, e da lotação dos automóveis, o que provoca um aumento dos números negros das estatísticas.

A solução passa por uma mudança de mentalidades quer dos educadores quer das escolas de condução, com a criação de situações de risco inesperadas para treinar os futuros condutores.

Actualmente no nosso país já não é necessário utilizar o dístico dos “90” que os condutores com carta há menos de um ano eram obrigados a exibir. Em alguns países está a ser incrementada a “carta gradual”, que dá direito aos recém-formados a conduzir apenas a determinadas horas e em certas condições, até se adquirir suficiente experiência.

As competências sociais e morais dos condutores são algo quase nunca referido no nosso país. No entanto, o respeito pelos outros é especialmente importante na adolescência, altura em que ainda é possível levar à mudança de comportamentos.

Nas escolas de condução, raramente se ensina o resultado que se pode obter quando um veículo com algumas centenas de quilos embate a 50km/hora no corpo humano.

 Conduzir é uma das actividades de maior risco que fazemos no dia a dia. Se é pai e o seu filho está prestes a tirar a carta, talvez seja bom conversarem um pouco sobre o assunto. Mesmo que os seus filhos ainda só brinquem com carrinhos telecomandados, ensiná-los desde já sobre os perigos e o respeito devido para com o próximo, pode evitar-lhes desgostos no futuro, porque um carro ou uma moto não são brinquedos.

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