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Descobrir o Espiritismo

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Dado como realidade na segunda metade do século XIX, o espiritismo evidenciou-se a partir de manifestações de fenómenos que existiam, segundo os entendidos, e que ainda hoje persistem.

O Espiritismo começou a ser comentado em meados do século XIX, época em que se procuravam avidamente explicações para todas as coisas. O Espiritismo não foi excepção. A partir de manifestações comprovadas por alguns, passou-se para a investigação de uma matéria que fascinava uns e aterrorizava outros, tal como acontece ainda nos dias de hoje. Observaram-se factos, tiraram-se conclusões e chegou-se à ilação que o Espiritismo assenta numa doutrina de cariz filosófico, religioso, e, para os mais crentes, de carácter científico.

Em termos gerais o Espiritismo tem por base a existência da personalidade e espírito do indivíduo, mesmo depois da morte do corpo. Assim, e existindo ainda toda a personalidade do ser, os crentes afirmam que é possível estabelecer contacto com as pessoas já falecidas. Contudo esta crença, de que é possível estabelecer contacto com o além, é demasiado antiga, pois desde sempre que se tentou o contacto com os mortos através de pessoas que tivessem poderes para isso, os chamados médiuns.

Decorria o ano de 1848 quando as primeiras manifestações espíritas vieram ao de cima. As irmãs Fox, em Hydesville, foram as primeiras a aparecer com golpes na pele de natureza desconhecida e, ainda que mais tarde viessem confirmar a falsidade desta declaração, houve quem acreditasse nas irmãs e espalhasse automaticamente o sucedido. A teoria de que não passamos de meros espíritos encarnados num corpo material viria apenas a surgir mais tarde.

Portanto, a vida espirita, aquilo que persiste para lá da existência terrestre, sempre foi algo que fascinou os humanos. Havia quem explicasse as manifestações dos espíritos como algo sobrenatural, outros diziam que se tratava de sinais do demónio. Esta última ideia fez com que durante muito tempo a palavra Espiritismo, a sua prática e investigação, fossem completamente proibidas. Quem o fazia arriscava-se a ser encarado como alguém que venerava o demónio, ou então a personificação terrestre de Satanás. Só mais tarde, instaurada novamente a liberdade religiosa é que, através de pesquisas, se conseguiu chegar a uma explicação racional acerca do assunto.

Tempos depois brotam do Espiritismo as vertentes da magia e superstição, fenómenos credíveis para uns, embora fraudulentos para outros. A existência de um fio espiritual que reja a continuidade humana é a base na qual assenta o Espiritismo, na medida em que, para os que crêem nesta filosofia, o corpo possa vir a morrer ainda que o espírito persista sempre à espera de outra base material. Aliás, esta continuidade e união só é possível devido ao corpo fluídico da alma que garante a vinculação do espírito ao corpo.

Segundo a óptica espirita, o espírito de cada corpo conserva sempre a sua individualidade característica, antes, no momento, e depois da encarnação. Eles encarnam as vezes que foram necessárias por forma a poderem progredir para um nível superior. Assim, todas as existências corporais têm como intuito aperfeiçoarem-se cada vez mais. Também convém salientar que as relações e contactos com os humanos são muitos, ainda que muitas vezes não se aperceba disso ou não tenha capacidade para captar os sinais e a presença do além.

O Espiritismo é uma doutrina, mas essa filosofia não tem quaisquer formas de culto, templos sagrados ou ainda entidades máximas, contrariando aquilo que sucede com outras religiões espalhadas pelos quatros cantos do mundo. O Espiritismo é hoje em dia rejeitado por uns e fortemente acarinhado por outros. Há quem o considere algo perigoso, maléfico, mas há outros que recorrem a ele como forma de tentar entrar em contacto com pessoas que já partiram. Mas, o Espiritismo é também palco de inúmeras fraudes que se registam um pouco por todo lado, como é o caso de pessoas que se fazem passar por médiuns sem terem qualquer conhecimento ou experiência nessa matéria.

Impregnado na sociedade mundial ou apenas numa parcela restrita da população do globo terrestre, a verdade é que os espíritos estão presentes a toda a hora, observando-nos e dando-nos pequenos sinais da sua existência. Dizem que não é por acaso o facto dos móveis de madeira rangerem ou que existam ruídos inexplicáveis nas casas, sendo estes dois indícios, entre tantos outros, um sinal da presença dos espíritos. Como outra doutrina qualquer, convém que também o Espiritismo seja respeitado, em toda a sua concepção.

E, se somos meros espíritos incorporados em corpo, é pena que não nos possamos lembrar do que o passado nos reservou. Certamente, as ideias do Espiritismo seriam mais credíveis e não deixariam qualquer dúvida para os mais desconfiados!



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