Poderia ser o nome de um filme, de uma peçade teatro ou, quem sabe, de um livro. A verdade é que se tratou de um casoreal: imagine ir consultar o seu saldo bancário e a conta apresentar um valorexorbitante ou estar, simplesmente, a zeros.
A semana passada deparei-me com uma situação
invulgar no écran da televisão. Primeiro, porque a reportagem era sobre um
cidadão anónimo; segundo, porque esse cidadão comum não estava ali para contar
nenhuma história triste, daquelas que ultimamente os canais de televisão gostam
de dar a conhecer ao país, para que nós, portugueses, tenhamos ainda mais
vergonha da situação horripilante em que se encontram tantas famílias
carenciadas, e para as quais ninguém parece prestar atenção a não ser os media; terceiro, porque a história
demonstrava como um homem ficou milionário da noite para o dia, ou melhor, e
para ser mais precisa, evidenciava a forma indescritível como a sua conta
bancária foi “transformada” numericamente de uma hora para a outra. O segredo?
Um erro informático ou bancário!
A situação parece de loucos, mas é mesmo
real. Um indivíduo de nome António Louro dirigiu-se ao Multibanco há escassos
dias, e qual não é o seu espanto quando constata que a sua conta bancária
apresenta um saldo de 99.999.978.486$00, quantia que em euros equivalia a
498.797.897,07. Pessoalmente não sei qual é a sensação de ir ao Multibanco e
deparar-me com um valor destes, mas com toda a certeza que inicialmente
começaria a rir, perante o ridículo da situação, e em seguida ficaria irritada
porque tudo aquilo não passava de um estúpido erro. Afinal, ser-se milionária
somente no papel não adianta de muito! Claro que há pessoas que provavelmente
não teriam a honestidade deste sujeito. Possivelmente, seriam os primeiros a estar
à porta do banco para levantar a referida quantia, e que se dane a quem
pertence o dinheiro!
Se, por um lado, esta situação tem o seu
lado hilariante, julgo que não me agradaria muito, nem a mim nem a ninguém, se
no talão do Multibanco viesse um valor substancialmente inferior àquele que eu
sabia possuir na conta. Todo este acontecimento serve para pensarmos um pouco
sobre as mãos nas quais depositamos o dinheiro. Estaremos, por isso, a lidar
com máquinas realmente inteligentes e seres humanos competentes, ou os erros
são mais que comuns e muitas vezes nem nos apercebemos deles? A partir de
agora, garanto-vos, que vou começar a ter uma atenção redobrada para com as
minhas contas bancárias, porque uma coisa é ficar rica e outra é ficar na
miséria. E, eu acredito que você vá fazer exactamente o mesmo!
Imaginemos que um episódio deste teor, mas
em que a conta em causa ficava substancialmente reduzida, acontecia com alguma
figura pública? Está a imaginar o Dr. Alberto João Jardim a ser ainda mais mal
educado do que habitualmente já o é? Certamente não é muito difícil idealizar,
pois não? E se em vez do Dr. Alberto João Jardim, a situação tivesse ocorrido
com o líder do PSD? Lógico que as suas primeiras palavras seriam “A culpa é do
governo!” Mas, e dando um pouco mais de sabor a todo este cenário, se o mesmo
sucedesse com o deputado Daniel Campelo tenho a certeza que bastava uma quantia
razoável para que ele não divulgasse o ocorrido aos media. Lógico que primeiro faria um pouco de propaganda ao seu famoso Queijo. Fica sempre bem e não
prejudica a entidade bancária!
Colocando de parte qualquer género de
ironia, a verdade é que todo este acontecimento podia ter trazido graves
consequências para o banco em causa e para a pessoa lesada. Aliás, nem vou
referir qual a entidade bancária e a referida agência, para que não seja ainda
mais vergonhoso para os envolvidos. Erros destes não podem acontecer, e ainda
para mais serem realizados a duplicar. É que a pessoa em questão que ficou
milionária, de forma ilusória, óbvio, após ter confirmado o montante em mais do
que um Multibanco, ainda reparou que, algum tempo depois, tinha sido adicionado
à quantia anterior mais 200 contos. Isto é inadmissível! Teremos que voltar ao
tempo em que se guardava o dinheiro debaixo do colchão? Pelo menos assim, havia
a garantia que situações destas não se verificariam, a não ser que a pessoa
fosse assaltada em sua casa.
Erros como este sucedem há muito tempo, e
não apenas de agora. Muito próximo de mim, houve uma pessoa que chegou a ver por
duas vezes adicionada à sua conta bancária o valor de 60 mil escudos, numa
conta em que, isto é o mais irrisório,
não eram feitos quaisquer movimentos há muito tempo. E, para ser ainda mais
hilariante, a pessoa em causa não tinha dinheiro nenhum nessa conta,
exceptuando os 60 mil escudos, que pertenciam a outra pessoa qualquer.
Histórias como estas parecem retiradas de um qualquer livro de anedotas, de um
filme de Woody Allen ou de uma cena do célebre Mr. Been. Mas, não! É esta a realidade bancária que
temos, e com a qual podemos contar! Fique atento ao seu saldo, pois qualquer
dia pode converte-se numa imensidão de números ou, drasticamente, ficar
reduzido a zeros! Enquanto isso, alguém pode estar, calmamente, a usufruir
daquilo que é seu! E, como bons portugueses que somos, “a nós ninguém nos
engana!”. Só às vezes meus caros, só às vezes!
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