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Falta apenas uma semana para as eleições legislativas.

Patricia Esteves NunesFalta apenas uma semana para as eleições legislativas. Se bem me lembro, há 4 anos atrás, por esta altura, Portugal encontrava-se imerso num pandemónio de cartazes, comícios, debates, carros de campanha a berrar e panfletos a esvoaçar. A luta era renhida, o fim da era do cavaquismo havia deixado o povo português sedento de mudança e os candidatos não tinham mãos a medir, transmitiam ânimo e determinação misturados com o cansaço de uma campanha fervorosa e de uma autêntica perseguição da comunicação social.

Mas desta vez não. A tragédia em Timor abafou por completo os outros interesses de Portugal. Xanana Gusmão e D. Ximenes Belo visitaram o nosso país em plena campanha eleitoral e os portugueses mostraram-se mais empenhados em apoiar a causa timorense do que qualquer candidato ao governo.

Os panos brancos, as velas acesas e as manifestações a favor de uma intervenção da ONU juntaram uma maioria mais do que absoluta. Nenhum partido conseguirá semelhante mobilização de eleitores por um candidato ou um plano eleitoral.

A luta por uma causa concreta ou apenas uma gigantesca manifestação de mea culpa pela situação em Timor foram o suficiente para juntar os portugueses de todas as cores políticas numa unanimidade surpreendente.

Timor continua a abrir todos os noticiários e a ilustrar a primeira página de todos os jornais. Entretanto a campanha decorre em background, discretamente, apenas a uma semana das eleições. As pessoas agitam panos brancos em vez de bandeiras partidárias. Os automóveis ostentam pequenos cartazes alusivos a Timor em vez de autocolantes de campanha.

Um discurso de Xanana Gusmão tem maior destaque do que o de um candidato.

São palavras de Paulo Portas, mas sem dúvida que representam o sentimento que tem movido todos os portugueses nos últimos tempos. Um fenómeno inesperado, sem dúvida, mas uma realidade admirável: "Enquanto se contam mortos, não se contam votos."

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