Já notou que por vezes se sente incomodada na sua casa ou no local de trabalho, que existem cheiros estranhos e perturbadores e que em algumas divisões há alturas em que se lhe torna difícil entrar?
Pois é, a sua casa pode estar poluída e o perigo pode ser maior do que
aquele que geralmente enfrenta no
exterior, uma vez que todas as substâncias poluentes acabam por se acumular no
restrito interior, sobretudo se o arejamento for insuficiente.
Alguns materiais de construção, acabamentos ou mesmo produtos de
limpeza que usa diariamente, podem estar a perturbar o seu meio ambiente. Os
principais culpados para este tipo de situações são a radioactividade que
alguns materiais de construção e de revestimento apresentam, assim como os
equipamentos e vernizes, os produtos de combustão e os detergentes e produtos
de manutenção usados em limpeza.
Começando pelo principio, mesmo uma casa de sonho pode revelar-se um
verdadeiro pesadelo. Em primeiro lugar temos a radioactividade provocada pelo radon, um gás radiactivo que é produzido
pela decomposição do urânio 238, um elemento que existe nas rochas, areias e
sedimentos. Chega às nossas casas em especial através do granito ou pode
emergir directamente da crosta terrestre através dos alicerces e cria à sua
volta produtos radiactivos em combinação com a água, oxigénio, pós e partículas
que se depositam nas paredes e nos materiais electrostáticos.
Segue-se na lista dos problemas o amianto, cujas fibras finíssimas
podem mesmo provocar tumores ao nível dos pulmões, e que foi um produto
altamente utilizado nos anos sessenta e setenta como isolante de
pré-fabricados, canos de saída de fumos e tubagens. O amianto torna-se perigoso
quando se dão demolições de edifícios onde tenha sido utilizado quando as
fibras de que é composto se espalham.
Outro produto altamente perigoso é o formaldeído, um dos compostos mais
utilizados nas construções e que se encontra presente nos materiais de
isolamento e nos colantes dos painéis de aglomerados com que se fazem os
móveis, além de se encontrar presente em tecidos, estofos, produtos para a
higiene e manutenção da casa. Aqui o perigo é mais directo, porque o
formaldeído liberta continuamente um gás acre e irritante, provocando erupções
cutâneas, eczemas, asma alérgica e distúrbios nas vias respiratórias.
Os isolantes, colas e vernizes de revestimento também são culpados por
algumas das emanações tóxicas. O melhor é evitar estes materiais e é muito
importante ventilar os ambientes, em especial as caves, tapando bem as tubagens
e respiradouros das fundações.
No mobiliário da casa continua o perigo porque muitos dos materiais que
servem para a construção deste são à base de sub-produtos das madeiras,
tratados com resinas sintéticas e compostos químicos. Aqui o maior perigo está
no quarto de dormir, onde uma mobília assim tratada, liberta continuamente
formaldeído que se junta ao anidro carbónico que emitimos ao dormir, e provoca
o efeito de ‘câmara de gás’.
Na cozinha continua a caminhada para o perigo. A combustão dos fogões e
dos esquentadores produzem hidrocarbonetos aromáticos, óxidos de carbono e de
azoto e benzopirene, substâncias que podem provocar doença crónica, sonolência
e irritação nos olhos e nas vias respiratórias.
Seguem-se os produtos de limpeza e desinfecção que usa diariamente.
Claro que os conhece por outros nomes, mas aqui ficam a que se resumem todos
esses detergentes, ambientadores, desinfectantes e produtos de limpeza: fenol,
cloratos, amoníacos, tricloroetano (dos tira-nódoas), paradiclorobenzol
(desodorizantes) e os malfadados clorofluorcarbonatos, presentes em todos os
produtos engarrafados a pressão, que além de contribuírem para o aumento do
buraco do ozono, são também responsáveis pelo aumento da incidência da doença
de Alzheimer.
Desta forma, deve evitar a todo o custo os produtos que apresentam já
altos níveis de toxidade na embalagem (a clássica cruz), os detergentes para
casa-de-banho com ácido ortofosfórico, os limpa-fornos com soda cáustica
(substituídos simplesmente por bicarbonato de sódio misturado com água) e os
detergentes para metais. Opte também por polidores de móveis à base de cera de
abelhas, menos nocivo para os móveis e para a sua saúde. O sabão azul é uma boa
escolha para a limpeza de pavimentos e superfícies quando derretido em água a
ferver. O vinagre tem uma óptima acção bacteriológica e anticalcária.
Se quiser perfumar a sua casa, use umas gotas de essências de lavanda,
eucalipto ou tomilho na água do balde de lavar o chão, que têm o mesmo efeito
que os produtos de limpeza perfumados, a que se acrescenta uma acção
bactericida, ao contrário da acção irritante que as outras podem provocar.
Mas não pense que toda a poluição vem de fora. Uma grande parte é
trazida por si ou por outros membros da família. Porquê? Basta que tenha um
elemento fumante na sua casa para os perigos tóxicos aumentarem em flecha.
Por isso, e pela sua saúde, opte por um ambiente mais saudável e siga
os nossos conselhos, porque vai estar a contribuir para um futuro melhor e a
evitar várias doenças provocadas pela sua própria casa.
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