Vai um café quentinho?

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Aromático, forte e tradicional, o café já é parte indispensável da nossa vida. Poucas bebidas são tão estimulantes e reconfortantes como o café. Vai uma chávena?

Veio da Etiópia para o Yemen e espalhou-se por toda a sociedade muçulmana com o nome de boun. Esta era uma emulsão estimulante feita com grão por torrar e sem esse amargor que o faria tão atraente a tantos gostos, quando a Europa, em 1615, descobriu a bebida do sul da Arábia.

Mas como surgiu esta bebida? É no ano de 850 na Pérsia que surgem as primeiras referências históricas sobre o uso do café. No campo das lendas, no entanto, é mais remota a sua origem. Na cultura árabe conta-se que foi o arcanjo Gabriel que trouxe do céu uma chávena de café a Maomé prestes a adormecer. A bebida foi tão forte que acabou com a sonolência do profeta e permitiu-lhe vencer quarenta homens com um único golpe. A palavra café tem uma possível origem no termo árabe ‘Kawesh’ que significa vigor, força, poder.

Lenda ou não, conta-se que o café teve a sua origem na região de Caffa (Abissínia), actualmente Etiópia, quando um pastor de cabras chamado Kaldi, observou que as suas cabras se tornavam mais irrequietas quando comiam as folhas e bagas da planta do café, o mesmo lhe acontecendo quando decidiu provar os bagos.

Decidiu então informar os monges de um convento vizinho os quais descobriram que as sementes destas plantas torradas, moídas e postas em infusão davam uma bebida que os ajudava a manterem-se acordados e sem fome durante as horas de prece. E o café começou a sua difusão pelos conventos e pelo exército etíope do Yemen nas invasões que se sucederam. Também os peregrinos que visitavam Meca tiveram acesso à bebida, levando ao seu uso por todo o mundo.

Apenas no século XV se iniciou a operação de torrefacção que lhe viria a dar um sabor especial e, mais tarde, a alimentar a escravatura no Brasil, nos engenhos de cultivo e torrefacção de café.

Nos finais do século XVI, as mulheres inglesas reuniram-se e realizaram uma petição contra o café, com base em que os maridos não lhe davam a devida atenção, dedicando-se apenas ao consumo do café. Já as mulheres turcas alegaram como causa de se divorciarem o facto dos seus maridos as impedirem de tomar café. O uso alargado do café começou no século XVII em Viena, onde surgiu também a tradição de o acompanhar de bolinhos doces. E este era mesmo um vício. Voltaire dizia tomar cinquenta chávenas da aromática bebida por dia. A primeira loja de café abriu em Veneza em meados de 1683, negócio que se expandiu em poucos anos para mais de 250 locais onde se podia saborear café.

Após ter sido transportada da Etiópia para a Arábia, a planta do café tornou-se um monopólio para os árabes, embora tivesse sido transportado posteriormente para Java e Ceilão, através da Companhia das Índias Holandesas. Em poucos anos, os Holandeses tornaram-se grandes produtores de café, graças ao clima ideal daquelas zonas.

Pouco tempo depois, os franceses plantaram diversas plantas de café em Porto Rico, Jamaica, Cuba e Haiti e os Portugueses nas suas ex-Colónias e no Brasil, que se viria a tornar o maior produtor mundial de café. Actualmente, o lote dos onze maiores produtores mundiais de café abrange para além do Brasil, a Indonésia, Colômbia, Costa Rica, México, Vietname, Madagáscar, Guatemala, Costa do Marfim, Uganda e El Salvador.

Existem diversas formas de saborear o seu café, à turca ou à grega, o método mais antigo de confeccionar o café, com um café bem torrado e moído fino, juntamente com especiarias, preparado numa cafeteira especial o ibrik. Em 1864, um polaco inventou em Viena uma nova forma de tomar café, ao filtrar os fundos, acrescentar um pouco de leite e adoçá-lo com mel. O café expresso teve o seu berço em Itália, onde cresceu juntamente com o equipamento e maquinaria necessários para a sua preparação, logo a seguir ao fim da segunda guerra mundial. A novidade consistiu tanto na apresentação da bebida, com mais gosto e cremosa, como na reduzida gramagem utilizada para a sua preparação.

O café também conta com os seus rituais. No Egipto toma-se o café sem açúcar num funeral, mas bem adoçado num casamento para significar a amargura e a doçura das duas situações. No Médio Oriente, o café é apenas bebido como actividade social e é servido respeitando as hierarquias sociais e etárias, sendo preparado individualmente para agradar a todos os gostos. Na Grécia é acompanhado de doces de mel, amêndoa e pistácio, e depois lê-se a sina nas borras deixadas na chávena.

À turca, expresso, simples bica ou cimbalino, o melhor mesmo é deixar-se envolver pelo aroma e saborear o café, mas atenção, sem abusos. E diga lá que não lhe sabia mesmo bem agora uma chávena de café? Bom proveito.

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