O doce açúcar, a história e origem da cana de açúcar

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O que é doce nunca amargou e nada prende mais os olhos do que um alimento açucarado. Mas como é o que o açúcar chegou até às nossas mesas?

Reza a história deste doce alimento que foi um almirante de Alexandre o Grande que introduziu o açúcar no Ocidente, 325 anos antes de Cristo, quando regressaram da expedição de conquista da Índia. Os indianos residentes no Golfo de Bengala e os chineses já conheciam este ‘mel de cana’.

A origem possível da cana do açúcar é do sudoeste asiático, tendo chegado à Arábia pela Pérsia e Índia onde recebeu o nome que lhe conhecemos derivado do sânscrito ‘sarkara’ que significa grão, e que irá passar para o grego ‘sákkharon’, latim ‘saccharum’ e árabe as-sukkar, termos que viriam a resultar, nas línguas indo-europeias, no zucchero italiano, seker em turco, zucker em alemão, sugar em inglês, etc.

Primeiramente o açúcar era utilizado como remédio para várias maleitas e na cozinha servia para temperar o amargo e o ácido de certos alimentos. No Ocidente eram utilizados o mel e o arrobe – mosto de uva concentrado, para adoçar diversos pratos. Al-Aldaluz é a primeira zona europeia a receber a cana de açúcar em 755, aclimatada em Ceuta e no Suez marroquino desde o século XII, mas como a produção não era suficiente, recorreu-se à importação do Oriente e durante as Cruzadas, foi importada de Veneza.

Os portugueses e a cana de açúcar

As culturas foram assim bastante incrementadas e tiveram todo o apoio dos governantes porque a expansão turca e a queda de Constantinopla em 1453 impediram a chegada do açúcar oriental a diversos países consumidores. São os portugueses que dão novo alento a este condimento e levam o açúcar de novo a dar a volta ao mundo.

Importando técnicos sicilianos para a Madeira, o Infante D. Henrique introduziu a produção de cana de açúcar e depressa a ilha se transforma no principal abastecedor europeu, levando mesmo D. Manuel a limitar a produção em 1498 devido a uma superprodução desse ano que fez baixar os preços.

Em 1497, Vasco da Gama descobria o cabo da Boa Esperança, abrindo aos Portugueses o caminho para a Índia e tornando-os os maiores negociantes de açúcar. Lisboa era a capital da refinação e da comercialização das ramas de açúcar que vinham para a Europa.

A cana de açúcar chega á America

Com os Descobrimentos, a cana de açúcar chegou ao continente americano. Cristovão Colombo implementa a produção de cana na ilha de Hispaniola (S. Domingos) e Cortez constrói os engenhos no México, levando ao aumento do seu consumo em todo o mundo, passando de simples medicamento a alimento privilegiado.

Apenas no reinado de D. João III é que os portugueses instalam as grandes plantações de cana de açúcar e montam os engenhos do açúcar no Brasil. Em 1584 havia 115 engenhos a funcionar, graças ao esforço de 10 000 escravos, que produziam mais de 200 000 arrobas de açúcar por ano. Na Europa, o açúcar passa a ser considerado um produto de luxo, muito cobiçado e uma enorme fonte de riqueza, sendo mesmo intitulado de ‘ouro branco’.

Em 1747 A. S. Margraff, um químico alemão, descobre que também a beterraba açucareira continha açúcar e obtém os primeiros cristais em laboratório, mas só durante as guerras napoleónicas a indústria se desenvolve na Europa, devido ao bloqueio britânico. Começa então a concorrência entre o açúcar de cana e o de beterraba.

Em 1802 T. K. Achard funda a primeira fábrica açucareira transformadora das beterrabas, em Kunern, na Silésia. A Primeira Guerra Mundial veio acabar com a produção europeia de açúcar de beterraba porque muitas das fábricas foram destruídas e falta a mão-de-obra e as matérias-primas. Em contrapartida, a produção de cana de açúcar foi estimulada e recebeu um novo impulso. Em 1920 a produção de açúcar de beterraba reconquista o nível de antes da guerra e a sua produção provoca uma crise económica com a baixa súbita dos preços.

Em 1937 é realizado o primeiro acordo internacional para regular o mercado do açúcar, criando o Conselho Internacional do Açúcar e em 1968 foi criado o mercado comum do açúcar, que leva a Comunidade Europeia a tornar-se o primeiro produtor mundial de açúcar de beterraba.

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