Alimentação e as consequências

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A maneira certa de não mudar os hábitos alimentares é obrigar-se a si própria, ou a outra pessoa, a comer o que não gosta ou com demasiada frequência.

A alimentação desempenha um papel muito importante nas nossas vidas, muito mais importante do que a maioria das pessoas pensam. Efectivamente, esta pode ser uma fonte de energia e de bem estar. Ou, pode ser exactamente o contrário, isto é, uma fonte de cansaço, de letargia e de más digestões e até de pele macilenta.

A escolha cabe a cada um fazê-la. Mas, como sempre na vida, é importante estarmos bem informadas para podermos tomar a decisão certa. E é aqui que reside, quanto a mim, um dos grandes problemas sobre a forma como nos alimentamos — a informação. Todos os dias somos bombardeadas com opiniões sobre o que não devemos comer e o que devemos comer, quer através da televisão, da rádio, das revistas ou dos jornais. E também há as premonições da vizinha, os palpites da colega, a dieta que a amiga fez …, enfim uma parafernália de conhecimentos, nem todos sempre correctos.

Isto demonstra bem o enorme interesse que existe actualmente pela alimentação. O problema é que a comunicação é tão volumosa, frequentemente desorganizada e por vezes até contraditória, que pode acabar por ser difícil separar o trigo do joio. Assim, é normal que o leitor se sinta, ocasionalmente, confuso e que já não tenha a certeza do que deve, ou não, comer..

O que pretendemos fazer é dissecar a informação, usando uma linguagem simples e acessível a todos, ao longo de uma série de artigos que aqui iremos publicar. O objectivo é fornecer às leitoras um conjunto de princípios básicos e facilmente aplicáveis. Esperamos assim contribuir para que possam fazer a escolha correcta no momento certo.

Nunca é demais reforçar que, quando falamos sobre alimentação, cada pessoa é um caso e deve ser tratada como tal. Se pretende perder peso ou alterar de forma drástica os seus hábitos alimentares deve fazer um exame médico de rotina. Só assim poderá ser detectada a existência de alguma situação menos desejável e que terá que ser tomada em conta nas modificações a efectuar.

Antes de mudar a forma como se alimenta será vantajoso definir, para si própria, porque é que o deseja fazer. Assim, ciente dos benefícios que irá obter é mais fácil persistir num determinado caminho. Quando se sentir desencorajada, pense nas vantagens que terá em comer conforme estipulou, pois, ao fazê-lo, recuperará a força de vontade e o ânimo que sentia inicialmente.

Naturalmente questiona-se se conseguirá comer certos alimentos que não lhe agradam habitualmente. Por exemplo, se não gosta muito de legumes, mas acha que os deve comer com mais frequência, coma apenas aqueles de que gosta. Passado algum tempo experimente outros e poderá ter a agradável surpresa de ver que, afinal, o seu paladar desenvolveu-se e já aprecia uma variedade maior. O mesmo pode acontecer em relação à fruta ou ao peixe.

Isto é um conselho especialmente importante em relação às crianças. Em vez de dizer: ” Tu não gostas de legumes nenhuns, que maçada, olha que te fazem bem …” Experimente antes perguntar-lhe: “De que legume é que gostas? Tanto faz que seja cru ou cozido.” O seu filho/a pode dar-lhe uma resposta que a deixa admirada. Aceite-a e manifeste a sua alegria por ele gostar desse legume.

A seguir pergunte-lhe se há mais algum de que ele gosta e repita o mesmo procedimento. Pode ter uma agradável surpresa ao verificar que, afinal, ele gosta de mais legumes do que pensava. Mesmo que ele só goste de três ou quatro, já pode variar e comer um, mais que não seja, de dois em dois dias ou dia sim, dia não para começar. Respeite o seu gosto e não o obrigue a comer outros de que ele não gosta pois isso só irá aumentar o seu repudio ou relutância em comer qualquer legume.

Ninguém nasce a gostar de hambúrgueres, de cerveja ou de doces. Recorda-se da primeira vez que bebeu coca-cola ou whisky? Gostou do sabor? Muitas pessoas respondem que não. Vemos pois que o paladar, tal como os hábitos alimentares, se desenvolve. Ou seja, a pouco e pouco, a pessoa vai-se habituando a certos sabores e passa a gostar destes. Mas é necessário criar a oportunidade para que tal aconteça.

Compreendo que pode ser maçador para o resto da família repetir tão frequentemente o mesmo legume. Mas será que não vale a pena se com isso estão a ajudar mais um membro da família a comer legumes com alguma regularidade? Além disso, se a criança gosta de três legumes, e se comer um dia sim dia não, só ao fim de seis dias é que comerá outra vez o primeiro. Isto mostra como, apesar de tudo, não é assim tão repetitivo.

Os adultos não são excepção à regra. Se o fossem, todos os adultos comeriam imensos legumes. Caso não os aprecie muito mas ache que deve comer mais, dê a si próprio uma oportunidade e siga os princípios que aqui enunciámos para as crianças. Não é por acaso que se diz que em todos nós, adultos, há uma criança, quer para as coisas boas como também para as menos boas.

Relembro pois que o mesmo se aplica em relação à fruta, para aqueles que não a apreciam muito, ou em relação ao peixe, se este é o alimento de que não se gosta. Em suma, é preciso ser-se realista. A maneira certa de não mudar os hábitos alimentares é obrigar-se a si própria, ou outra pessoa, a comer o que não gosta ou com demasiada frequência se não lhe apetece. Este é, pois, um aspecto em que podemos aplicar o velho ditado: “devagar se vai ao longe”.

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